Da importância do brincar (ou O que você vai ser hoje?)

Lá vem a guerreira em seu cavalo branco – ou melhor, cor de rosa. Passeando pelas montanhas, atravessando rios, percorrendo vales. Encontrando com os animais, enfrentando os mais diferentes desafios. Quando menos se espera… onde está a guerreira? Ela virou maquinista, está dirigindo seu trem, devagar, devagar, e agora em alta velocidade… Piuiiiiiiiiiií! E o trem corre, corre, solta fumaça colorida: verde, azul, roxa, amarela!

Pequena maquinista, vá com calma, você está correndo demais! Xi!!! Cadê a maquinista? Ela sumiu! O que se vê agora é uma mãe e seu bebê. Ela deita o bebê nos braços e o acalanta… faz carinho, dá um beijo na cabeça e nina até dormir. Quando o pequenino dorme, a mamãe põe seu bebê no berço e balança, entoando uma canção de ninar. Agora que o bebê dormiu, ela segue para cuidar dos bichinhos. Tem macaco, tem sapo, tem pato, tem cachorro (ou seria au-au?). Todos recebem uma atenção especial!

De repente, não mais que de repente, a maquinista colocou o cavalo cor de rosa no trem, junto com o pato, o sapo, o bebê… o que está acontecendo?

Brincar é imaginar, é sonhar. Enquanto estou no sofá, observo minha pequena se aventurando em tantas histórias, em tantos mundos diferentes. Na brincadeira, ela pode ser quem ela quiser. Ela já foi super-herói e já pilotou um carro de corrida; já andou de avião e preparou comida; já tocou tambor e cantou muitas músicas.

A criança não precisa de tecnologia, de personagens famosos e criados (por adultos), de estímulo a todo momento. O que uma criança precisa é que permitam que ela brinque: na sala de casa, no quarto, no quintal, na pracinha.

Ah, pracinha! Tão em falta por onde vivo! Só vejo prédios, carros e academias ao ar livre. Para onde foi o escorregador? O balanço que me levava à lua quando eu era pequena? A gangorra que era uma catapulta em minha imaginação?

Não deixemos que nossas crianças sejam engolidas pelas nossas tarefas, pela nossa pressa. Pelos nossos estímulos. Uma criança não precisa de muito. Mas dentre o pouco que ela precisa, brincar é fundamental.

Permita que ela brinque e não esqueça: brinque você com ela! Tire os sapatos e sente no chão; se jogue na areia, na grama, na água. Se permita pular em poças, tomar chuva, entrar em caixas de papelão, colocar lenços e lençóis na cabeça.

Brincar é viver o presente. É saudar o nosso passado. É construir o futuro.