Em busca da alimentação saudável: os desafios e medos de uma mãe de primeira viagem

Hoje quero falar sobre um assunto que pode até parecer bobo para alguns, mas que, para mim, é de importância extrema:alimentação.

Depois dos seis meses de amamentação exclusiva, chega a hora da temida “introdução alimentar” e nem sempre os pais se sentem prontos e preparados para essa nova fase. Para o bebê, é uma descoberta! Tudo é novo! Ele muda da posição deitado para sentado e começa a ter contato com novos aromas, texturas, gostos… Parece algo fantástico, não? E é. Realmente é. Mas antes de entrar na introdução alimentar em si, gostaria de abordar um pouco sobre a minha relação com a comida e como cheguei até aqui.

Eu fui uma criança muito desejada. Antes de mim, minha mãe havia engravidado duas vezes e, em razão de alguns problemas com útero e placenta, teve dois abortos espontâneos. Imaginem então como meus pais ficaram radiantes quando eu nasci!

Mamei no peito apenas até os oito meses – minha mãe diz que, um certo dia, eu não quis mais -, e não sei bem como foi minha introdução alimentar. Se eu era uma criança comilona, se aceitava fácil, se desistia logo. O fato é que, na infância e adolescência, comer para mim, era uma tortura.

Nas minhas memórias, recordo-me de inúmeras vezes em que eu estava sentada à mesa, chorando, pois não queria comer, mas “tinha que”. Lembro de minha mãe ao meu lado, brigando que eu deveria comer, lembro de ela fazendo as mais diversas “simpatias” para abrir meu apetite, lembro dos inúmeros estimulantes e vitaminas que tomei para que pudesse comer um pouquinho mais, um pouquinho mais… Tudo em vão.

Eu sempre fui do tipo “chata pra comer”, que não aceitava legumes, verduras, poucas frutas. Em compensação, gostava daquilo que não fazia bem: tudo que fosse frito, com bastante gordura ou muito açúcar, lá estava eu abocanhando.

Nem preciso dizer que, em minha casa, as regras tornaram-se, por força da necessidade, um pouco “livres” nesse aspecto. Imagino eu que minha mãe, no desespero de querer que sua filha comesse, na vontade de me ver raspando o prato, no medo de ver sua pequena tão desejada ficar fraca e apática, liberava algumas coisas. Então se eu não comia, mas aceitava uma friturinha, que fosse! Se eu não comia nada verde, mas aceitava uma batata, então tome batata! A solução era comer vendo televisão? Ok, pode ver um pouco.

Cheguei aos 18 anos como uma jovem extremamente magra – pesava apenas 43 quilos – e muito infeliz com meu peso. Tinha vergonha de ir à praia, de usar camiseta, nenhuma roupa ficava legal. Eu via as meninas ao meu redor, com seios fartos, bumbum na medida, corpo violão. E eu? Nada. Nada. Nada.

E então, aconteceu. Comecei a engordar. Um pouquinho, mais um pouquinho, mais um pouquinho… e dobrei de peso. A magrela de outrora havia se tornado obesa.

Hoje, adulta, e agora mãe, sou uma pessoa com restrições no paladar – sem nenhuma atração pelas coisas ditas “saudáveis” – e com um cardápio cada vez pior.

Não preciso nem dizer que esse meu histórico me assombrou desde que comecei a pensar na introdução alimentar da minha pequena. O medo de que ela se torne alguém como eu ainda é gigante, então tento estudar e ler ao máximo para tornar o momento da alimentação prazeroso, sem estresse.

Aqui em casa, optei por fazer a introdução pelo método BLW (se você não conhece, outro dia conto um pouco mais sobre isso). A introdução começou aos seis meses e meio, quando minha pequenina já sentava sem apoio. Frutas, legumes, verduras, grãos, carnes… tudo foi apresentado aos poucos, respeitando a vontade dela. Hoje ela tem um ano e um mês, mas ainda evito muita coisa que acho desnecessária para um bebê: nada de doces, evito industrializados, ponho pouco sal na comida, dou preferência aos alimentos in natura. Sim, posso até ser um pouco xiita nesse aspecto, mas é o que tem funcionado para mim e para minha consciência, é o que me faz acreditar que algumas coisas podem ser diferentes.

Durante o período de introdução alimentar, tive que aprender a respeitar os limites de meu bebê, as escolhas, o tempo, o paladar. Tive que deixar a ansiedade de lado e confiar. Tive que, principalmente, começar a mudar meus hábitos. Como quero que ela se alimente de forma saudável se eu não o faço? Acredito que, assim como tudo na vida, alimentação é principalmente exemplo.

Se está sendo fácil? NEM UM POUCO. Há dias em que a vontade que tenho é de jogar tudo para o alto. De abrir a comida preparada mais próxima, colocar um desenho qualquer e enfiar o alimento goela abaixo da cria.

Lógico que o medo da desnutrição, do baixo peso e da fraqueza bate à porta, mas prefiro acreditar em tudo que li e experimentei até agora e pensar que estou fazendo o melhor para formar um paladar saudável para ela.

A experiência que tive na minha infância serve hoje como estímulo para tentar fazer diferente. Sei que tudo que minha mãe fez foi acreditando que estava fazendo e dando o seu melhor. Assim como eu, ela era uma mãe de primeira viagem, mas, diferente de mim, vivia o fantasma dos filhos que vieram e não foram. O medo da perda a assombrava. E como “saco vazio não para em pé”, a solução era que eu comesse sempre – não importava o quê.

Sim, sei que ainda estou engatinhando nessa jornada da maternidade. Que ainda vou enfrentar muitas recusas, muito choro, muitos “não quero”. Sei também que o mundo ao nosso redor é cruel e que, logo, logo, terei que lidar com o bombardeio dos alimentos vazios como doces, junk food, refrigerantes e afins. Se sairei ilesa dessa história? Se minha pequena será uma pessoa de hábitos saudáveis? Se vou conseguir mudar toda uma história? Só o tempo dirá. Mas fica aqui meu conselho com base no que aprendi nesse curto tempo de vivência com esse mundo novo: esqueça a pressão, as neuras. Deixe que seu bebê conheça o mundo dos alimentos e escolha o quanto quer comer. Confie no instinto dele em saber quando e como ficar satisfeito. E aproveite esse momento sublime da alimentação para observar sua cria, cultivar bons hábitos e ser feliz.

Obs: Nessa jornada, são muitos os sites que me auxiliam nessa busca por uma alimentação mais legal. Abaixo alguns links para quem tiver interesse:

http://www.asdeliciasdodudu.com.br/

http://www.maternidadecolorida.com.br/

http://tanahoradopapa.com/

http://www.doutormoises.com.br/

http://nutricionistainfantil.blogspot.com.br/

http://www.comerparacrescer.com/

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