Cachorros e filhos: como preparar o animal para a chegada do bebê

Um ano depois de casar, eu e meu marido decidimos adotar um cachorro. Nala, uma labradora mega espevitada, chegou em 2011, e até o nascimento do Pedro reinou absoluta como a criança da casa.  Quando eu engravidei fiquei bastante preocupada com a reação que ela teria com o nascimento do pequeno e como ela o aceitaria, então fui atrás de informações em sites e conversei com uma amiga veterinária pra saber o que fazer.

A partir do momento que a Nala percebeu a gravidez o seu comportamento mudou. Ela ficou manhosa, bastante chorona e mais carente do que era. Todas as vezes que me via, tentava pular na minha barriga. No dia que eu soube que estava grávida, contei pra ela e conversei, explicando que dali um tempo um bebê chegaria. Na verdade, durante os nove meses de gestação eu repetia o ritual de, todos os dias, me aproximar dela, deixar ela cheirar minha barriga e explicar que dentro tinha um irmãozinho. Não sei se ela entendeu alguma coisa, mas esse encontro intrauterino era sagrado por aqui…rs.

Ao longo da gravidez tivemos algumas mudanças em casa para que ela se habituasse às novas regras antes do nascimento do Pedro. No dia que chegamos da maternidade a Nala foi apresentada à ele. Nós abaixamos, explicamos quem era aquele bebê e deixamos que ela cheirasse seus pés. Desde então, todos os dias quando o Pedro e a Nala acordam, eu abro a porta da área de serviço e faço os dois se darem bom dia. No começo eu só liberava os pés dele pra ela cheirar e lamber, mas conforme ele foi crescendo, fui dando mais abertura: deixei cheirar a barriga, chegar perto e lamber as mãos. Hoje, a relação deles é de encher o coração de amor: lambida e carinho pra dar e vender. Ele mexe, faz carinho, puxa o pelo, enfia a mão na boca e ela adora! Claro, só permitimos esse tipo de contato dos dois quando estamos por perto e porque conhecemos a nossa cachorra e seus hábitos. A Nala nunca se mostrou agressiva, nem mesmo antes do nascimento do irmão, então existe uma relação de confiança que procuramos observar e manter por aqui.

Apesar das coisas terem dado muito certo e ter surgido uma forte amizade entre eles, nem todos os cachorros reagem bem à chegada do novo membro. Separei 5 dicas que coloquei em prática aqui antes e depois do nascimento do Pedro e que nos ajudaram muito no processo de adaptação. Espero que elas sejam úteis pra vocês como foram pra mim!

1. Mantenha os cuidados do animal em dia: Vacinas, vermífugos e remédios não devem ser negligenciados. É claro que quem tem bicho e cuida bem dele não vai deixar de fazê-lo por causa da gravidez, mas as distrações com os preparativos para a chegada do bebê podem nos fazer esquecer algumas coisas, então fica a minha sugestão: anote todas as datas referentes aos cuidados do animal num post-it bem colorido e pendure num local que você acessa com frequência, dessa forma, não tem como deixar passar o dia da vacina.

2. Prepare o cachorro para a chegada do bebê: Se o seu cachorro tem alguns hábitos que irão dificultar o convívio dele com o novo membro da família, o momento de começar as mudanças é na descoberta da gravidez. Dessa forma, você terá nove meses para treinar e adaptar seu cachorro ao bebê e para que ele não associe broncas, restrições e mudanças na sua rotina à criança. Se você identifica no seu animal a necessidade de adestramento, a hora de começar também é essa! Aqui nós deixávamos a Nala entrar em casa todos os domingos. Ela entrava e fazia a maior bagunça. Quando descobri que estava grávida parei com esse costume, e antes mesmo do Pedro nascer ela já tinha entendido o recado e não forçava mais a sua entrada. Isso vale pra cachorros que dormem com os donos nas camas, sobem em cima do sofá ou fazem coisas que não vão dar certo na companhia do bebê. Outra dica é: não restrinja a entrada do cachorro no quarto do bebê, nem antes nem depois do seu nascimento. O cachorro deve entender que o bebê é seu amigo, e não seu concorrente. Evitar o contato entre os dois pode causar desconfortos e sentimentos desagradáveis no cachorro em relação à criança, que podem resultar em objetos destruídos, xixi em lugares desapropriados e agressividade.

3. Pra chegar da maternidade: Separe uma muda de roupas do bebê e leve para casa para que o cachorro sinta seu cheiro. Dessa forma, quando o bebê chegar em casa, seu cheiro não vai ser mais uma novidade e o cachorro vai se sentir mais seguro em relação ao novo membro da família. Aqui em casa nós fizemos isso e deu super certo! Um dia antes de recebermos alta do hospital, meu marido trouxe pra casa uma muda de roupas do Pedro pra ela cheirar. Quando chegamos do hospital, ela reconheceu o odor e sua reação foi bastante amistosa. Também é importante apresentar o bebê ao cachorro. Deixe que o cachorro cheire o bebê e explique pra ele, de maneira carinho, que “esse é seu (sua) irmãozinho (a)”.

4. Integre o bebê à rotina do animal: Evite, nos primeiros meses do bebê, receber uma grande quantidade de pessoas ao mesmo tempo em casa. Isso estressa o animal, que pode reagir de uma forma não muito legal. Introduza o bebê a rotina do animal, deixe que eles tenham contato diário e associe petiscos e recompensas ao bebê. Caso o cachorro tenha alguma reação desagradável como latir ou rosnar, repreenda de forma firme mas sem gritos. Evite ao máximo mudar a rotina do animal: ofereça comida, passeios e carinho nos horários habituais, por mais difícil que isso pode ser na loucura do dia-a-dia, faz com que o cachorro perceba que ele não foi excluído ou negligenciado.

5. Dê muito carinho: Um bebê muda completamente a rotina da casa, completamente mesmo! Os horários mudam e as prioridades também. Nos primeiros meses, nós, mães, amamentamos, trocamos, dormimos e quando dá, comemos….rs. Nesse meio tempo, procure um jeito de fazer um carinho no seu animal. Digo isso porque quando o Pedro nasceu eu me percebi muito distante da Nala, e ela sentiu isso. Quando me via queria pular e chorava, coisas que não fazia antes do “irmão” nascer. Um bebê, pra quem trata seus cachorros com muito amor e atenção, nada mais é do que o “irmão mais novo”. Entender isso é fundamental para criar uma relação de amor e cuidado entre o animal e a criança. Caso seu bichinho seja ansioso demais, recorrer ao uso de florais com indicação de um veterinário é uma boa opção!